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O oceano absorve 30% do CO₂ que emitimos. E está pagando o preço.

Acidificação oceânica já reduziu o pH da água em 0,1 unidade desde a era pré-industrial — o equivalente a 26% mais ácido

Redação Donatello··2 min de leitura

Fonte: Global Carbon Project (2024) + IPCC AR6 WG1 (2021) — Ocean Acidification Chapter

Onda do oceano vista de dentro da água com luz azul

Os oceanos são o maior sumidouro de carbono do planeta. Absorvem cerca de 30% do CO₂ que a humanidade emite (Global Carbon Project, 2024). Parece um favor da natureza — mas a conta está chegando.

A química

Quando o CO₂ se dissolve na água do mar, forma ácido carbônico (H₂CO₃), que se dissocia em íons de hidrogênio (H⁺) e bicarbonato (HCO₃⁻). Mais H⁺ = água mais ácida. Desde 1750, o pH médio da superfície oceânica caiu de 8,2 para 8,1. Parece pouco — mas a escala de pH é logarítmica. Uma queda de 0,1 significa 26% mais ácido.

Quem sofre primeiro

Organismos que constroem conchas de carbonato de cálcio (corais, moluscos, crustáceos, fitoplâncton) são os primeiros afetados. O pterópode — um minúsculo caracol marinho que é base alimentar para salmões e baleias — já mostra dissolução de concha em águas antárticas (Bednaršek et al., 2012, Nature Geoscience).

O cenário brasileiro

O Brasil tem 8.500 km de costa e a sexta maior plataforma continental do mundo. Pesquisa do INPE e do IO-USP detectou que águas da costa sul e sudeste brasileira já apresentam taxas de acidificação 50% mais rápidas que a média global — provavelmente por causa de ressurgência costeira que traz águas profundas ricas em CO₂.

O limiar

Modelos do IPCC projetam que, com emissões no cenário atual, o pH oceânico cairá para 7,95 até 2100 — condições que não existem há 14 milhões de anos. Corais tropicais começam a ter dificuldade de calcificação abaixo de pH 7,9.

O oceano está absorvendo nosso problema. Mas não pode fazer isso para sempre.

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