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O VAR acerta 98,9% das decisões. Então por que parece que erra tanto?

Relatório da IFAB mostra taxa de acerto altíssima — mas viés de confirmação e disponibilidade explicam a percepção contrária

Redação Donatello··2 min de leitura

Fonte: IFAB — VAR Annual Report 2024 + Tversky, A. & Kahneman, D. (1973). Cognitive Psychology.

Tela de computador mostrando replay de partida de futebol

O VAR (Video Assistant Referee) tem taxa de acerto de 98,9% nas decisões revisadas, segundo relatório da IFAB (International Football Association Board, 2024). Em 2023-24, corrigiu 580 decisões erradas em campo nas principais ligas do mundo. Mesmo assim, pesquisa do CIES Football Observatory mostra que 67% dos torcedores acham que o VAR "piora o futebol".

O paradoxo da percepção

Três vieses cognitivos explicam a divergência:

1. Viés de disponibilidade (Tversky & Kahneman, 1973). Erros do VAR viram manchete. Acertos são invisíveis. Quando o VAR corrige um impedimento milimétrico corretamente, ninguém comemora. Quando erra (1,1% das vezes), vira meme.

2. Viés de confirmação. Torcedores que já não gostam do VAR buscam evidência que confirme sua opinião. Cada erro percebido reforça a crença. Cada acerto é ignorado.

3. O efeito da demora. O VAR interrompe o fluxo emocional do jogo. O gol é o pico de dopamina do torcedor. Esperar 2-3 minutos por confirmação transforma êxtase em ansiedade. Mesmo quando o gol é confirmado, o pico emocional já se dissipou.

Os números

Na Série A 2024, o VAR no Brasil corrigiu 142 decisões de campo. Dessas, 127 estavam corretas (89,4%). O percentual brasileiro é menor que o global (98,9%) — sugerindo que o problema pode estar na implementação, não na tecnologia.

O futuro

A FIFA está testando o semi-automated offside — sistema com 12 câmeras e sensores na bola que detecta impedimentos em 25 segundos (vs. 70 segundos do VAR manual). Reduz a demora. Não resolve os vieses.

O VAR funciona. O problema é que o cérebro humano não foi feito para aceitar que uma máquina entende mais de futebol que ele.

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