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A ciência por trás do gramado sintético: por que jogadores se machucam mais.

Meta-análise com 53.000 atletas mostra que gramados artificiais aumentam lesões de ligamento em até 28%

Redação Donatello··2 min de leitura

Fonte: Mack, C. et al. (2019). Higher rates of ACL injury on artificial turf. Am J Sports Med.

Gramado de futebol sendo irrigado com aspersores

O gramado sintético divide opiniões — clubes amam pela economia, jogadores odeiam pelo risco. A ciência está do lado dos jogadores. Meta-análise publicada no American Journal of Sports Medicine (Mack et al., 2019, 53.000 atletas, 12 estudos) encontrou que gramados artificiais aumentam o risco de lesão de ligamento cruzado anterior (LCA) em 28% comparado a gramados naturais.

O mecanismo

O problema é o coeficiente de atrito. Gramados naturais cedem quando o pé gira — as raízes e a terra permitem microdeslocamento. Gramados sintéticos de 3ª geração (com borracha granulada) têm atrito superficial 15-30% maior. Quando o jogador planta o pé e gira o corpo, o joelho absorve a torção que o gramado deveria ter dissipado.

A temperatura escondida

Em climas quentes, gramados sintéticos atingem temperaturas de 60-70°C na superfície (Penn State University, Center for Sports Surface Research, 2021). Gramados naturais raramente passam de 35°C. A temperatura afeta a rigidez do material, o conforto térmico e o risco de queimaduras por atrito.

No Brasil

A Série A 2025 tem 4 clubes com gramado sintético ou híbrido. A CBF exige certificação FIFA Quality Pro, que testa absorção de impacto, tração rotacional e regularidade de superfície. Mas a certificação mede parâmetros técnicos, não taxas de lesão.

O custo-benefício

Um gramado natural profissional custa R$80-150 mil/mês para manter (irrigação, adubação, greenkeepers). Um sintético de qualidade custa R$3-5 milhões para instalar, mas R$15-20 mil/mês de manutenção. A economia é real — mas quem paga a conta são os joelhos.

A decisão entre natural e sintético deveria ser médica, não financeira.

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