43% dos brasileiros não têm conta bancária completa. O Pix mudou isso?
Dados do Banco Central mostram que o Pix trouxe 71 milhões de novos usuários ao sistema financeiro — mas a inclusão real é outra história
Fonte: Banco Central do Brasil — Relatório de Cidadania Financeira + BIS Annual Report 2024
Antes do Pix, 43% dos brasileiros adultos não tinham conta bancária completa — apenas contas simplificadas ou nenhuma (Banco Central, Relatório de Cidadania Financeira 2021). O Pix, lançado em novembro de 2020, mudou o mapa: em 4 anos, trouxe 71 milhões de novos usuários ao sistema de pagamentos instantâneos.
Os números do Pix
Em dezembro de 2024, o Pix registrou:
- 170 milhões de usuários cadastrados (pessoas físicas)
- 5,3 bilhões de transações no mês
- R$2,1 trilhões movimentados no mês
- Ticket médio de R$396 por transação
É o sistema de pagamentos instantâneos mais bem-sucedido do mundo em termos de adoção per capita (BIS, Bank for International Settlements, 2024).
Inclusão real?
Ter Pix não é o mesmo que ter acesso a crédito, investimentos ou seguros. A pesquisa Global Findex (Banco Mundial, 2024) mostra que a inclusão financeira "funcional" — capacidade de poupar, tomar crédito formal e fazer pagamentos — ainda exclui 29% dos brasileiros adultos.
O paradoxo
O Pix democratizou o pagamento, mas concentrou dados. As 5 maiores fintechs e bancos digitais detêm 82% das contas Pix (Banco Central, dados abertos). A concentração de dados financeiros em poucas empresas levanta questões sobre privacidade, concorrência e poder de mercado.
O Pix foi a maior inovação financeira do Brasil em décadas. Mas confundir transação com inclusão é um erro de R$2 trilhões.
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