Economia e Política

O agronegócio responde por 24% do PIB brasileiro. Mas emprega apenas 8% da população.

Mecanização e ganhos de produtividade explicam por que o setor que mais cresce gera cada vez menos empregos diretos

Redação Donatello··2 min de leitura

Fonte: Cepea/CNA — PIB do Agronegócio 2024 + IBGE PNAD Contínua + Embrapa

Campo de soja verde se estendendo até o horizonte

O agronegócio brasileiro respondeu por 24,4% do PIB em 2024 (Cepea/CNA). Exportou US$166 bilhões — recorde histórico. Mas empregou diretamente apenas 8,3% da população ocupada (PNAD Contínua/IBGE), ou cerca de 8 milhões de trabalhadores.

O paradoxo da produtividade

Em 1990, o agronegócio empregava 23% da força de trabalho. Em 2024, 8,3%. A queda não significa declínio — significa mecanização. A produtividade por trabalhador no campo cresceu 350% em 30 anos (Embrapa). Uma colheitadeira moderna faz o trabalho de 100 trabalhadores manuais.

Para onde foram os empregos?

A migração campo-cidade é uma das maiores transformações demográficas do Brasil. Em 1970, 44% dos brasileiros viviam em áreas rurais. Em 2024, 13%. O agro se modernizou — mas os ex-trabalhadores rurais foram absorvidos principalmente pelo setor informal urbano.

A cadeia completa

Se incluirmos a cadeia completa (insumos, produção, agroindústria, logística e serviços), o agronegócio responde por cerca de 26 milhões de empregos — 26% do total (CNA, 2024). Mas desses, apenas 8 milhões estão no campo. O restante está em frigoríficos, transportadoras, revendas de insumos e escritórios urbanos.

O dado que surpreende

O Brasil produz alimento para 1,6 bilhão de pessoas (Embrapa, 2024) — mais que 8 vezes sua população. É o maior exportador mundial de soja, café, açúcar, suco de laranja e carne bovina. Ao mesmo tempo, 33 milhões de brasileiros passam fome (Rede PENSSAN, 2023).

Produzir muito e distribuir pouco é o resumo de vários paradoxos brasileiros.

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