Ciência e Tech

O grafeno é 200x mais resistente que o aço. Por que ainda não está em tudo?

Isolado em 2004, o material promete revolucionar eletrônica, medicina e construção — mas a produção em escala segue como gargalo

Redação Donatello··2 min de leitura

Fonte: Novoselov, K. et al. (2004). Science + USGS Mineral Commodity Summaries 2024

Estrutura molecular de grafeno vista em microscópio

O grafeno é uma folha de carbono com um único átomo de espessura. É 200 vezes mais resistente que o aço, conduz eletricidade melhor que o cobre, é quase transparente e pesa quase nada. Andre Geim e Konstantin Novoselov ganharam o Nobel de Física em 2010 por isolá-lo em 2004. Já se passaram 22 anos. Onde está o grafeno?

A promessa

As propriedades são reais e verificadas em laboratório. Grafeno pode tornar baterias 5x mais rápidas de carregar (Samsung Advanced Institute, 2017), filtros de água 100x mais eficientes (Lockheed Martin, 2013), e concreto 30% mais resistente (Universidade de Exeter, 2018).

O gargalo

Produzir grafeno de alta qualidade em escala industrial é extraordinariamente difícil. O método original de Geim e Novoselov — literalmente descascar grafite com fita adesiva — produz amostras perfeitas de micrômetros. A indústria precisa de metros quadrados.

A produção por CVD (Chemical Vapor Deposition) consegue folhas maiores, mas com defeitos que degradam as propriedades. O custo caiu de US$100.000/cm² em 2008 para US$0,50/cm² em 2024 — mas para aplicações eletrônicas, a pureza exigida ainda eleva o preço.

Onde o grafeno JÁ está

Raquetes de tênis (HEAD), pneus (Vittoria), capacetes de ciclismo, tintas anticorrosivas e aditivos para concreto. São aplicações que toleram grafeno de menor pureza — misturado como aditivo, não como material principal.

O Brasil no mapa

O Brasil é o segundo maior produtor de grafite do mundo (USGS, 2024) — matéria-prima do grafeno. A Nacional de Grafite (MG) e a Universidade Mackenzie (SP) têm programas ativos de pesquisa. Mas a cadeia de valor para grafeno de alta pureza ainda não existe no país.

O grafeno é real. A revolução é que é mais lenta do que prometeram.

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