O preço da carne subiu 22% em um ano. Aqui está o motivo.
Dados do IPCA mostram que a proteína bovina acumula alta acima da inflação geral pelo terceiro trimestre consecutivo
Fonte: IBGE — Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA)
A carne bovina acumulou alta de 22,4% nos últimos 12 meses, segundo dados do IPCA divulgados pelo IBGE. Para comparação, a inflação geral no mesmo período foi de 4,5%. A proteína bovina sobe quase cinco vezes mais que o índice geral.
O que está por trás
Três fatores convergem para explicar a alta:
1. Ciclo pecuário em fase de retenção. O rebanho brasileiro opera em ciclos de 6-8 anos. Desde 2024, pecuaristas estão retendo fêmeas para reprodução, o que reduz a oferta de animais para abate. Menos boi no pasto hoje significa carne mais cara no prato.
2. Exportações recordes. O Brasil exportou 2,3 milhões de toneladas de carne bovina em 2025 (SECEX), com a China respondendo por 52% do volume. A demanda externa compete diretamente com o consumo interno, pressionando preços domésticos.
3. Custo de produção. O milho — principal componente da ração — subiu 18% no período. Diesel, insumos veterinários e mão de obra também pressionam. O custo por arroba subiu de R$248 para R$291 (Cepea/Esalq).
O impacto na mesa
O brasileiro médio consome 24,5 kg de carne bovina por ano (USDA, 2025). Com a alta, famílias de menor renda estão migrando para frango (+8,2%) e ovos (+5,1%) como substitutos proteicos — movimento já detectado pela POF/IBGE.
Perspectiva
Analistas da Scot Consultoria projetam acomodação dos preços a partir do segundo semestre, quando a fase de retenção começar a liberar mais animais para abate. Mas a normalização completa só é esperada para 2027.
Os dados não mentem: o churrasco ficou mais caro. E vai demorar para voltar ao que era.
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