O salário mínimo ideal seria R$6.850, segundo o DIEESE. Por que a conta não fecha?
A diferença entre o mínimo real (R$1.518) e o necessário (R$6.850) revela o tamanho da defasagem histórica
Fonte: DIEESE — Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos + IPEA + OCDE
O DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) calcula mensalmente o "salário mínimo necessário" — o valor que um trabalhador precisaria receber para sustentar uma família de 4 pessoas com moradia, alimentação, educação, saúde, transporte, vestuário e lazer. Em fevereiro de 2025, esse valor era R$6.850,18.
O salário mínimo real é R$1.518. A diferença é de 4,5 vezes.
Como o DIEESE calcula
A metodologia usa a cesta básica como referência (Art. 7 da Constituição Federal), projetando o custo para uma família de 2 adultos e 2 crianças. O cálculo segue o preceito constitucional de que o mínimo deve atender "moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social."
A evolução real
O salário mínimo brasileiro teve ganho real (acima da inflação) significativo entre 2003 e 2014 — subiu 76% em termos reais nesse período (IPEA). De 2015 a 2022, ficou praticamente estagnado. A partir de 2023, voltou a ter reajustes reais com a nova política de valorização (INPC + PIB).
Comparação regional
Em paridade de poder de compra (PPP), o salário mínimo brasileiro é:
- 2,3x maior que o da Índia
- 40% menor que o do Chile
- 60% menor que o de Portugal
- 75% menor que o da Alemanha
(Fonte: OCDE, PPP-adjusted minimum wages 2024)
A distância entre o mínimo real e o necessário não é um acidente. É o retrato matemático da desigualdade.
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