Esportes

O Brasil tem 300 mil campos de futebol. É mais que escolas.

Mapeamento por satélite revela infraestrutura esportiva informal que supera a rede escolar em número — e em desigualdade

Redação Donatello··2 min de leitura

Fonte: MapBiomas + Atlas do Esporte/IBGE + INEP Censo Escolar 2024

Campo de várzea com traves improvisadas e crianças jogando

O Brasil tem aproximadamente 300.000 campos de futebol — entre estádios profissionais, campos de várzea, quadras e campinhos. O número, estimado por mapeamento via satélite (MapBiomas, dados complementares do Atlas do Esporte/IBGE), supera as 178.000 escolas de educação básica do país (Censo Escolar/INEP, 2024).

O mapa da várzea

Dos 300 mil campos, menos de 1% são estádios profissionais ou certificados pela CBF. Os outros 99% são campos de terra, várzea, quadras comunitárias e campinhos improvisados em terrenos baldios. A infraestrutura esportiva informal do Brasil é, possivelmente, a maior do mundo.

A desigualdade espelha

A distribuição segue a desigualdade regional: o Sudeste concentra 38% dos campos, enquanto o Norte tem apenas 7% — apesar de ter 8,7% da população. Municípios com IDH acima de 0,7 têm em média 3x mais campos por habitante que municípios com IDH abaixo de 0,6.

O paradoxo do acesso

O futebol é o esporte mais praticado no Brasil: 30,4 milhões de brasileiros jogam futebol com regularidade (PNAD Contínua 2024). Mas apenas 1 em cada 10 campos tem iluminação noturna, vestiário ou banheiro. A maioria é literalmente um pedaço de terra com duas traves.

Por que isso importa

Pesquisa de Humphreys & Ruseski (2007, Journal of Sports Economics) mostrou que a presença de infraestrutura esportiva a menos de 15 minutos de caminhada é o fator que mais prediz prática regular de exercício — mais que renda, escolaridade ou idade.

Os 300 mil campos existem. Melhorar 10% deles teria mais impacto na saúde pública que qualquer campanha.

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